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sábado, 16 de janeiro de 2010

Despedida


É como acordar de um sonho bom
e perceber que não estará aqui
e o quarto, grande e vazio,
expandir suas paredes, teto e chão

É como acordar na madrugada
por causa de um pesadelo
e, acordando, não sair dele...
procurar água para matar a sede

Passam-se as horas, os tic-tac do relógio

É como acordar novamente
Após árdua noite
Corpo cansado, olhos ardidos
Esquecidos os sonhos, esquecidos os pesadelos
Devastado pela ventania, pelo furacão.
Outro dia.

Beatriz 06 de agosto de 2008
* Último poema publicado no Blog "Estrela Matinal"

Sobre anjos


Meu anjo existe sim
E, às vezes, vem me visitar
Possui as mãos macias
E me dá asas para voar

Existe dentro de mim
Às vezes pode demorar
As minhas mãos acaricia
Despede-se e retorna ao seu lar

Beatriz, 05 de agosto de 2008

Bolhas d' água


Fecho os olhos e deixo-me levar em pensamento
às águas salgadas do mar
Sentada na areia, pés banhados
e uma taça de champanhe borbulhante
O vento seca a veste molhada,
que transparece colada ao corpo
O sopro arrepia a minha pele, gela meus lábios,
esvoaça meus cabelos
Faz muito frio
Brindo à loucura do momento
Busco o sentido, a conexão com o universo
Busco o elo entre as gotas d' água e os pingos de chuva
Busco a intersecção do profundo mar e o infinito das estrelas
Chuvas de meteoros
Delírios
Não encontro palavras que expliquem a caótica existência
Vou embebedando-me das bolhas d' água espumante,
formadas pelo constante ir e vir das ondas

Beatriz, 29 de julho de 2008

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Peço um dia


Só um dia de descanso
Peço um dia de descanso...
Para não pensar as coisas difíceis da vida,
as misérias do mundo...
Só um dia de descanso
Peço um dia de descanso...
Ao lado de alguém-conforto
Ao lado de alguém-segurança...
Sem para isso me sentir acorrentada
Pelas coisas do passado
Só um dia de descanso
Peço um dia de descanso
Numa paisagem rústica e natural
ou luxuosa e virtual...
Só uma noite de descanso
Peço uma noite de descanso
Para ver pingos de chuva
e estrelas de cristal.

Beatriz, 09 de julho de 2008

Infidelidade


E se não formos um para o outro
será que vamos superar?
E de quem seremos, se não há donos
e ninguém é de ninguém?
Como poderia saber que seriam vários
os amores da minha vida?
E que a todos amo de forma diferente,
e a todos vivo fiel com a mesma medida?
Como poderia prever vários amores em minha vida
e que vós, sem me terdes, partiriam
como quem fecha a porta sem despedida?

Beatriz, 07 de julho de 2008

Sombra da noite


Outra noite, fiz uma viagem
fui uma velha coruja no alto de uma árvore.
Camuflada como sombra da noite,
possuía o olhar profundo e atento.
Captei em preto e branco a imagem do
astro anônimo sentado ao banco do jardim
Notei de seus olhos as lágrimas embargadas
que não se deixavam escorrer
As lágrimas que, ao contemplar o lago,
distorciam o reflexo da lua n'água
e a imagem dos dois cisnes
que se encontravam
formando um coração.

Beatriz, 24 de junho de 2008.

Precioso Amor


Precioso amor escorre pelas mãos
como água ao mar, como areia ao vento
como borboleta no ar e estrela no firmamento

Precioso amor suave e sereno como uma canção
Hoje meu coração é leve,
misturo aromas de chocolate e café
aos tons das mais belas flores,
misturo o quente do sol ao frio do tempo,
os peixes do mar às nuvens do céu,
misturo as folhas da árvore ao balanço
Vou embaçando a triste saudade e
vou tornando mais nítidas as doces lembranças
Meu coração é leve e comporta o amor em sua imensidão.

Beatriz, 12 de junho de 2008

Borboleta


Surgiu após a chuva matinal e o orvalho das flores
Encheu-me os olhos
com sua nítida cor e seu leve voar
Era suave o seu pousar em flor
Sua visão encheu-me de luz e esperança

Fiquei como criança, em ponta dos pés,
quis alcançá-la, quis tocá-la
Sempre atrás dela, bailando num embalo de dança feliz
girando e correndo atrás da pequena borboleta.

Beatriz, 3 de junho de 2008

Arca d' Água


De sua arca, baú de escritos, escapam palavras:
Arcabouços e Poesias
Palavras de um guerreiro, armado com arco-e-flexa,
que dispara da sua barca flashes de luzes multicoloridas
Palavras que seguem em destino ao outro lado do oceano
É o arco-da-aliança,
arco-da-chuva (matinal),
arco-de-deus...
Mais conhecido como, arco-íris.

Beatriz, 20 de maio de 2008

Reflexos e lembranças


Olhou-se refletida no espelho d'água.
Não reconheceu a imagem, tampouco a personalidade
que habitava naquele corpo.
Já fora capaz de apaixonar-se perdidamente
como ignorar friamente.
Não reconheceu as milhares de faces que havia em uma só
que antigamente cantava e já não tem voz,
que desenhava e pouco rabisca,
que ensinava e agora aprende...
Mas guardava lembranças da essências, dos aromas que a vida lhe trouxe:
Perfume do primeiro namorado.
Cigarro de palha dos velhos do interior.
Café expresso. Terra molhada. Protetor solar e piscina.
Ônibus de viagem. Pequi.
Cheiro de comida, aroma de bebida, essências de perfumes...
E cheiros de lugares diversos, que com palavras, não dá para explicar.

Beatriz, 15 de maio de 2008