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domingo, 17 de janeiro de 2010

Paradoxos do tempo

De repente, o tempo vai passando, meu tempo vai se extinguindo...
Eu querendo aqui ficar contigo, e meu coração se consumindo, aos poucos.
De pouco em pouco, tempo veloz, tempo voraz, tempo que retarda, mas não volta atrás.
Eu aqui querendo ter seu coração comigo.
E já é tarde... Vão-se os segundos, os minutos, as horas, os dias, os meses.
E já é tarde... Que horas são?
Muitos, ociosos, muitos, correria.
Há quem queira fazer 48 horas das 24 horas do dia.
Há quem queira eternizar um segundo...
De repente, o tempo vai passando, o mundo vai girando...
Pode não parecer: é tarde para começarmos qualquer coisa dessa vida
ou talvez tenhamos todo o tempo daqui para a frente.
Agora já é tarde, quero que fiques aqui comigo.

Beatriz Souza, 13 de agosto de 2009
*Último poema publicado no blog "Caderno de Poemas"

sábado, 16 de janeiro de 2010

Que não se pronuncie palavra


Vamos conversar? Você olha para mim e eu olho para ti.
Vamos conversar em silêncio, apenas com olhares e respiração.
Vamos deixar que os nossos corações aflitos se encontrem e se tranquilizem
Vamos deixar que nossas mentes diminuam a velocidade da informação.
E que se dissipe o cansaço, e que não se pronuncie nenhuma palavra.
Vamos, por algum tempo, por alguns segundos apenas, conversar em silencio
com olhar, confiança e mansidão.
Eu olho para ti e você olha para mim.

Beatriz Souza, 25 de julho de 2009

Imperativos


Cubra-me de beijos, embale-me em seu abraço
ainda que pareça egoísmo meu.
Acolha-me mesmo nas noites sombrias e de vazios sentimentos
que eu preciso de ti.
Deixemos a angústia e a aflição, contemplemos as coisas simples:
estrela, vagalume e luar.
Carrega-me no colo, me chame pra dançar
e flutue suavemente pairando sobre o ar.


Beatriz Souza, 21 de julho de 2009

De roupa suja e alma lavada


Quero chegar ao fim do dia, de roupa suja e alma lavada
Quero acolher as crianças num simples abraço ou numa brincadeira de rua
Correr, cansar-me, sob forte sol e suor na cara
E, pensar, como são belas as crianças de joelhos empoeirados, cujos pés são terra e lama
E, pensar que um sorriso valeu a pena e pagou o preço de todo o sacrifício.

Beatriz Souza, 20 de julho de 2009

Ferrugem


Envelhecida pelos dissabores do mundo fui.
E agora, eis-me prostrada em busca de palavras.
Porque há tempos deixei-me esmaecer pela falta de cor, pela falta de brilho.
Qual tempo corrosivo! Qual pobreza de ânimo desgastou meu pensamento, minha palavra.
Fragiliza-me e reduz-me ao pó. Porque tomas de mim o ser poetisa?

Beatriz Souza, 14 de julho de 2009